17/07/11

Em Memória..

no instante que seu amor morreu suas mãos foram cortadas,
e ficaram assim por todos estes anos
por todas as portas abertas que encontrou e não quis entrar
cortou as possibilidades de toques, pegadas, entregas
fluíram pensamentos confusos
passos imprecisos,
um jeito de nada querer
nada saber,
nem sentir.

o dia-a-dia fincou-lhe pregos no peito.
ratos caminham em seu jardim
em seus cabelos escorre o amargo dos esquecidos
seus olhos brilham um único instante de séculos passados

nos dias que sua alegria era plena
fez-se malas de viagem
e a porta se fechou as costas do caminhante
seu amante levou a alegria que não era sua
seu corpo ficou ali incrédulo
os anos passaram e todos viram seu caminhar sonâmbulo
sem mãos, sem sexo, sem boca.

sem palavras que explique a mala
o caminhante caminhou
jogou o peso da dor sobre seus ombros
até os ausente sentiram sua tristeza

naquele instante seus olhos morreram
e suas mãos foram cortadas..

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